Secas no Sul do país, enchentes no Nordeste – Como as mudanças climáticas impactam o mercado segurador

Por: Andressa Dariva Küster Barbosa – Várias catástrofes climáticas vêm atingindo o país. Estados com históricos de seca vêm sofrendo com enchentes, bem como regiões com clima predominantemente úmido sofrem com as secas. Todas essas mudanças climáticas são reflexos diretos do aquecimento global, que impacta diretamente a vida de todos e, portanto, tem sido alvo constante de debates, reflexões, políticas públicas e econômicas.
Recentemente, 22 seguradoras participaram da produção de um relatório em conjunto com a Iniciativa dos Princípios para a Iniciativa de Seguros Sustentáveis (PSI), vinculada ao Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEF-FI) da ONU, onde foi possível mapear os riscos inerentes às mudanças climáticas e avaliar diretrizes para lidar com seus impactos, além de criar iniciativas que estimulam a sustentabilidade.
O mercado segurador tem papel fundamental nessas iniciativas, eis que dispõe de várias modalidades de seguros que podem servir como ferramenta no combate ao impacto que as mudanças climáticas trazem.
Dentro deste cenário, destaca-se o seguro rural que é considerado um instrumento de política agrícola, na medida que protege os produtores dos efeitos de um clima adverso, por exemplo, indo muito além da proteção de perda de safras e animais, visto que há modalidades específicas que resguardam os meios de produção e até mesmo seguros de vida atrelados ao produtor devedor de crédito rural.
O Brasil é um dos maiores produtores agrícolas do mundo e, dada suas proporções continentais, as mudanças climáticas tornaram-se um complexo desafio aos produtores, visto que os ciclos climáticos não são mais tão previsíveis. Assim, a busca pelo mercado segurador aumentou, de forma que a expansão e a especialização neste nicho, para atender satisfatoriamente à demanda crescente e diversificada, foi um resultado natural que já pode ser observado nos dias de hoje.
Outro grande destaque do mercado segurador em momentos climáticos adversos advém da mitigação dos prejuízos causados pelas fortes chuvas e suas consequências, como enchentes e deslizamentos.
Conforme dados do Sindicato das Seguradoras do Rio de Janeiro e Espírito Santo, na recente tragédia causada pelas Chuvas em Petrópolis, as seguradoras receberam cerca de 700 pedidos de indenização relativos à veículos atingidos pelas inundações, o que evidencia a importância de se contar com um seguro nestes momentos.
Além dos seguros auto, ganham destaque os seguros residenciais, bem como os seguros de vidas.
Os seguros residenciais contam com coberturas diversificadas para proteger a residência e os bens que a guarnecem. Já o seguro de vida poderá garantir o pagamento de indenização ao beneficiário em caso de falecimento do segurado.
Por fim, destaca-se que além de mitigar prejuízos, o mercado segurador tem atuação ativa no combate ao aquecimento global, sobretudo desenvolvendo produtos que apoiam as fontes de energia limpa e estimulando a utilização de veículo elétricos, por exemplo, evidenciando seu papel de destaque frente às mudanças climáticas e seus impactos. (*) Andressa Dariva Küster Barbosa é advogada no escritório Rücker Curi Advocacia e Consultoria Jurídica e especialista em Direito Público.

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