Documento técnico propõe ações integradas de prevenção, fiscalização e educação para enfrentar epidemia no trânsito brasileiro – A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (ABRAMET) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) reuniram nesta terça-feira (26/05), em Brasília, especialistas, gestores, entidades médicas e representantes de diferentes setores da sociedade para discutir o avanço da epidemia de sinistros envolvendo motocicletas no Brasil e construir propostas voltadas à prevenção e à redução de mortes e sequelas permanentes no trânsito.
Durante o Fórum Nacional sobre Veículos de Duas Rodas, realizado na sede do CFM, foram apresentados um panorama dos impactos das motocicletas no país pelo ex-presidente da SBOT, Paulo Lobo, representando o atual presidente Miguel Akkari e uma enquete nacional conduzida também pela SBOT com participação de profissionais do trânsito, usuários de motocicletas, associações científicas, instituições de pesquisa, unidades de saúde, gestores públicos e médicos do trauma de 16 estados brasileiros. O levantamento revelou que 69,02% dos participantes classificam os riscos e impactos relacionados aos veículos de duas rodas no trânsito como “muito altos”, enquanto outros 20,68% consideram os impactos “altos”.
Os dados também apontam que as motocicletas concentram 76% dos sinistros relacionados aos veículos de duas rodas, muito acima de bicicletas elétricas (8,2%), veículos autopropelidos (6,4%), bicicletas convencionais (5,2%) e patinetes elétricos (4,2%). “O que observamos é uma percepção praticamente consensual de que estamos diante de um grave problema de saúde pública. Os impactos ultrapassam o trânsito e atingem diretamente os hospitais, a previdência, as famílias e a economia, além de inúmeras reportagens na imprensa repercutindo a situação atual e um clamor da sociedade para que algo seja feito”, afirmou o ortopedista Marcos Musafir durante a apresentação da enquete.
Outro dado que chamou atenção no levantamento foi o perfil das vítimas. Jovens entre 18 e 29 anos representam 72% dos casos atendidos, enquanto crianças e adolescentes correspondem a 9% das vítimas. As lesões mais frequentes envolvem membros inferiores (48%) e membros superiores (42%), evidenciando o elevado potencial incapacitante dos sinistros com motocicletas. Segundo os participantes da enquete, os principais fatores associados aos acidentes são falha humana por imprudência (92%), excesso de velocidade (83%), baixa fiscalização (58%), problemas de infraestrutura (50%) e deficiência de treinamento ou habilitação (45%).
“O crescimento acelerado da frota de motocicletas, associado à vulnerabilidade dos usuários e à falta de políticas preventivas mais efetivas, criou um cenário extremamente preocupante. Precisamos tratar essa realidade como prioridade nacional”, ressaltou Paulo Lobo. O presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, fez uma convocação geral para que todas as sociedades de especialidade e os médicos alertem a população sobre os riscos crescentes das lesões em vítimas das motocicletas e parabenizou a iniciativa da SBOT. Além da apresentação dos dados epidemiológicos e da enquete nacional, o fórum foi palco de debates com as principais lideranças e pesquisadores deste tema que resultaram na proposta de apresentação, em breve, de documento de “Alerta e orientação aos usuários de veículos de duas rodas” para os sensibilizá-los e conscientizá-los sobre sua responsabilidade individual na própria proteção e, assim, evitar sinistros e tragédias durante a mobilidade com orientações simples e diretas.
Ao final do encontro, na avaliação dos presentes, o evento contribuiu para fomentar políticas públicas de prevenção em busca de mudanças efetivas. O fórum também marcou o lançamento da segunda edição do Prêmio SBOT de Jornalismo de 2026 “Na Moto, na Moral”, iniciativa que reconhecerá reportagens e conteúdos jornalísticos voltados à prevenção de sinistros e à conscientização sobre os impactos da violência no trânsito brasileiro.



