Sistemas legados dificultam avanço da IA em 41% das seguradoras, mas mercado de tecnologia já aponta soluções

03/11/2026

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Zup aplica inteligência artificial na modernização de códigos antigos e aponta caminhos para reduzir a dependência de estruturas tecnológicas complexas – A integração com sistemas legados representa um obstáculo à implementação da inteligência artificial para 41% das seguradoras, segundo pesquisa da AM Best, divulgada pela publicação especializada Risk & Insurance em 2026. O levantamento revela que quase 60% das companhias esperam que a IA transforme significativamente seus modelos de negócio nos próximos um a três anos, mas apenas cerca de 20% se consideram em estágio avançado de implementação. Nesse cenário, a Zup, empresa brasileira de tecnologia do grupo Itaú Unibanco, utiliza IA na modernização de aplicações antigas, apoiando a análise de códigos, a identificação de regras de negócio e a migração para arquiteturas mais modernas.

Ainda de acordo com o estudo, que ouviu 152 seguradoras e agentes gerais de gestão de seguros, a prontidão dos dados é o principal desafio para a adoção da tecnologia, apontado por 45% dos participantes, seguida por segurança e privacidade (43%) e integração com sistemas legados (41%). O cenário evidencia que a evolução da infraestrutura precisa caminhar junto à integração das informações e à proteção dos dados.

Um dos principais desafios está na dependência de sistemas desenvolvidos em COBOL, linguagem ainda presente em operações críticas. Nessas estruturas, mudanças aparentemente simples, como a atualização de um beneficiário, podem exigir intervenções diretamente no código. Além de sobrecarregar as equipes de TI, essa característica limita a capacidade de adaptação das companhias e amplia a distância em relação a empresas que já nasceram com operações digitais.

“Para uma seguradora, modernizar não significa simplesmente substituir uma tecnologia antiga. Estamos falando de sistemas que sustentam operações críticas e acumulam décadas de conhecimento sobre o negócio. O problema é que essa dependência pode tornar mudanças simples mais caras e demoradas, justamente em um mercado que precisa responder com agilidade às demandas dos clientes. A transformação precisa acontecer sem colocar em risco a continuidade desses serviços”, afirma Marcos Bonas, VP da Zup.

Os impactos vão além da infraestrutura. A falta de integração entre cotação, subscrição e emissão de apólices pode provocar retrabalho, atrasar a formalização de contratos e elevar os custos de implantação de ferramentas utilizadas pelos corretores. Em algumas operações, o intervalo entre a conclusão comercial e a emissão pode chegar a meses, comprometendo a eficiência e a geração de receita.

A Zup já atua na modernização de sistemas legados com apoio de IA generativa, incluindo aplicações em COBOL e projetos de migração de mainframes para ambientes em nuvem. A abordagem envolve a compreensão do código existente, sua documentação e adaptação a novas arquiteturas. A experiência da companhia com inteligência artificial também apresenta resultados no desenvolvimento de software. Em projeto realizado para o Itaú Unibanco, a aplicação da tecnologia contribuiu para reduzir em até 88% o tempo de refinamento de requisitos, além de aumentar em 40% o volume mensal de descrições de funcionalidades produzidas pelas equipes, demonstrando seu potencial para acelerar etapas do desenvolvimento de aplicações.

“Na Zup, trabalhamos com inteligência artificial contextualizada, segura e governada, para compreender sistemas que, muitas vezes, têm documentação limitada e regras de negócio distribuídas em milhares de linhas de código. Esse trabalho permite identificar dependências, apoiar a refatoração e acelerar etapas que antes exigiam uma análise essencialmente manual. A nossa experiência mostra que a IA pode ser parte da própria solução para modernizar o legado, desde que exista supervisão técnica e critérios claros de validação”, explica Bonas.

Outra frente envolve a reorganização dos fluxos operacionais. O uso combinado de reconhecimento óptico de caracteres (OCR) e IA pode automatizar a extração de informações de documentos, enquanto interfaces em linguagem natural oferecem a possibilidade de simplificar solicitações feitas pelas áreas de negócio. Com mecanismos de autorização e governança, essas soluções podem reduzir intervenções manuais e facilitar a conexão entre diferentes plataformas.

No Brasil, o desafio também é significativo. Pesquisa da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), divulgada em fevereiro de 2026, aponta que 69% das empresas consultadas consideram a integração com sistemas legados uma das principais barreiras à implementação da IA. Embora 80% já tenham adotado a tecnologia, os resultados financeiros ainda são predominantemente incrementais, indicando a necessidade de avançar na integração das informações, na modernização da infraestrutura e na gestão das aplicações.

Para a Zup, o avanço da inteligência artificial nas seguradoras depende de uma transformação que combine a atualização dos sistemas existentes com a criação de estruturas mais flexíveis para o desenvolvimento de novos produtos e serviços. A evolução gradual dessas operações, com validação técnica e preservação das regras de negócio, permite preparar o setor para ampliar o uso da tecnologia sem comprometer a segurança e a estabilidade das atividades essenciais.