Carteira de planos de saúde envelhece, mas aumento de consultas por idoso é localizado

30/10/2026

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Estudo do IESS mostra que população com 60 anos ou mais cresceu 21,7% entre 2019 e 2025, enquanto frequência de consultas entre beneficiários com 70 anos ou mais avançou em apenas duas das cinco modalidades analisadas – A população com 60 anos ou mais nos planos de saúde médico-hospitalares passou de 6,6 milhões para 8 milhões de beneficiários entre 2019 e 2025, um acréscimo de cerca de 1,4 milhão de vínculos, ou 21,7%. No mesmo período, a carteira total avançou de 47,0 milhões para 52,5 milhões de beneficiários, alta de 5,5 milhões de vínculos, ou 11,7%. Esse envelhecimento, no entanto, não foi acompanhado por um aumento generalizado da frequência de consultas entre os idosos. Na faixa de 70 anos ou mais, por exemplo, o número de consultas por beneficiário caiu em três das cinco modalidades de operadoras analisadas e aumentou em duas.

Os dados fazem parte do estudo “Consultas ambulatoriais por faixa etária na saúde suplementar: 2019 e 2025”, do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), que analisa a utilização de consultas por faixa etária, modalidade de operadora e tipo de atendimento. O levantamento permite distinguir o efeito da mudança na composição etária da carteira de uma eventual alteração na frequência de utilização por beneficiário. A análise dos dados de consultas ambulatoriais também é um indicador relevante na saúde suplementar: a partir dela é possível entender o comportamento de solicitação de exames e procedimentos, itens com maior peso na composição de custos assistenciais. Clique aqui e faça o download do estudo ou acesse www.iess.org.br.

Entre os beneficiários com 70 anos ou mais, o número de consultas por beneficiário caiu 3,3% nas autogestões, 4,2% na medicina de grupo e 5,7% nas seguradoras entre 2019 e 2025. Os aumentos ficaram concentrados nas cooperativas médicas, com alta de 4,9%, e nas filantropias, com 12,6%.

“Os beneficiários mais idosos utilizam mais consultas, mas os dados mostram que não houve um aumento generalizado da frequência individual entre 2019 e 2025. Uma parte importante da mudança que observamos vem do próprio crescimento da população idosa dentro dos planos de saúde”, afirma o superintendente executivo do IESS, Denizar Vianna.

A diferença de utilização entre as idades permanece clara. Nas consultas em consultório, em 2025, a média foi de 2,8 por beneficiário entre 0 e 19 anos; 3,1 entre 20 e 29; 3,5 entre 30 e 39; 4 entre 40 e 49; 4,7 entre 50 e 59; 5,7 entre 60 e 69; e 6,1 entre aqueles com 70 anos ou mais. Ou seja, os mais idosos consultam mais, mas isso não significa que estejam passando a utilizar cada vez mais consultas ao longo do tempo.

Outro dado chama atenção para os próximos anos. A faixa de 40 a 49 anos foi a que mais cresceu entre 2019 e 2025: 32%, com cerca de 2,3 milhões de beneficiários adicionais. Em 2025, eram 9,3 milhões de vínculos nessa faixa etária. Entre os mais jovens, o comportamento foi diferente: a população de 20 a 29 anos cresceu 5,2%, enquanto a de 30 a 39 anos recuou 0,4%.

“Há uma parcela numerosa da carteira avançando para faixas etárias em que a utilização tende a ser maior. É uma transformação previsível e que precisa ser considerada no planejamento da assistência e da rede de atendimento”, observa Vianna.

Essa relação entre idade e utilização também ajuda a compreender o mutualismo, princípio que sustenta os planos de saúde. Os recursos pagos pelo conjunto dos beneficiários financiam a assistência de quem precisa utilizar os serviços, e o risco é compartilhado entre pessoas com diferentes idades e necessidades. Como o padrão de utilização muda ao longo da vida, a composição etária da carteira e sua evolução são relevantes para o equilíbrio e a sustentabilidade do sistema.

Na assistência odontológica, o avanço da população idosa vem acompanhado de um movimento diferente. O número de beneficiários com 60 anos ou mais quase dobrou entre 2019 e 2025, com alta de 92,9%, mas a frequência de consultas diminui nas faixas etárias mais avançadas. Nas cooperativas odontológicas, por exemplo, beneficiários de 20 a 59 anos realizaram entre 1,1 e 1,3 consulta por pessoa em 2025, ante 0,4 entre aqueles com 70 anos ou mais.

Esse resultado reforça a importância do acompanhamento odontológico entre os idosos, conforme mostrou o estudo “Saúde Bucal e Doenças Crônicas: Evidências da Literatura e Análise do Uso de Serviços no Setor Suplementar Brasileiro”, que reuniu evidências sobre a associação da doença periodontal com doenças cardiovasculares e diabetes. No caso do diabetes tipo 2, o tratamento periodontal pode contribuir para o controle glicêmico de parte dos pacientes.

Tipo de consulta

As diferenças entre as faixas etárias aparecem também na forma como os serviços são utilizados. Nas consultas domiciliares, por exemplo, os beneficiários com 70 anos ou mais foram a única faixa em que houve aumento da frequência entre 2019 e 2025: de 3,5 para 3,9 consultas a cada 100 beneficiários. Entre aqueles de 60 a 69 anos, a taxa caiu de 1,1 para 0,5.

No pronto-socorro, a utilização apresenta um comportamento diferente, com taxas mais elevadas nos extremos etários. Entre os beneficiários com 70 anos ou mais, houve redução de 1,2 para 1 consulta por beneficiário entre 2019 e 2025. O estudo não permite estabelecer relação de causa e efeito para essa queda, mas aponta, entre as hipóteses possíveis, a substituição de parte dos atendimentos de urgência por cuidado programado e a expansão da teleconsulta após 2020.

Para Vianna, ampliar as alternativas de acesso à assistência também é importante para reduzir a procura inadequada pelos serviços de emergência. “O pronto-socorro é fundamental quando há uma urgência ou emergência. O problema é utilizá-lo apenas como uma forma mais rápida de acesso ao atendimento quando não existe essa necessidade. Um pronto-socorro recebe pacientes com diferentes doenças e níveis de gravidade, e permanecer nesse ambiente significa uma exposição desnecessária a riscos”, analisa. “A telemedicina oferece uma alternativa importante nesses casos, ao permitir uma avaliação inicial rápida e orientar o beneficiário sobre o atendimento mais adequado para aquela situação”, completa.

Sobre o IESS

O Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) é uma organização sem fins lucrativos dedicada à produção de estudos técnicos e conceituais sobre a saúde suplementar no Brasil. O Instituto contribui para a formulação de políticas públicas e a disseminação de boas práticas, com foco na sustentabilidade do sistema, no aprimoramento do financiamento da saúde e na qualificação do debate setorial. Reconhecido pela excelência técnica e independência, o IESS é referência nacional na produção de dados, análises e propostas voltadas ao desenvolvimento da saúde suplementar.