Resultados divulgados pela ANS mostram recuperação parcial do setor, porém, quando observadas apenas as operadoras de menor porte, quase metade delas ainda registra prejuízo operacional, aponta análise da ABRAMGE – Os resultados econômico-financeiros mais recentes da saúde suplementar apresentam um processo de recuperação do setor após anos de forte pressão assistencial. Porém, segundo análise da Associação Brasileira de Planos de Saúde (ABRAMGE), com base nos dados divulgados pela ANS, quase metade das operadoras de menor porte registrou resultado operacional negativo.
“É importante compreender que o resultado líquido do setor nas análises públicas não reflete, necessariamente, a realidade da operação assistencial das empresas. O número inclui resultados financeiros e patrimoniais que não estão diretamente ligados à prestação de serviços de saúde. Quando analisados apenas os resultados operacionais, muitas operadoras ainda enfrentam dificuldades significativas para equilibrar receitas e despesas assistenciais”, afirma Marcelo Dietrich, diretor da Associação Brasileira de Planos de Saúde (ABRAMGE) e liderança de pequenas e médias operadoras na entidade.
A análise da ABRAMGE indica que o resultado operacional das pequenas e médias operadoras foi negativo em R$ 200 milhões no ano de 2025, o que evidencia margens ainda bastante pressionadas para o conjunto dessas 540 empresas. Esse cenário ajuda a explicar por que 45% registraram resultado operacional negativo, mesmo em um momento de aparente recuperação do setor. Analisando apenas as operadoras de pequeno porte, a proporção é ainda maior e chega a 50%.
A preocupação com as pequenas e médias operadoras se explica principalmente por sua relevância estratégica para a capilaridade da saúde suplementar brasileira. Em muitas regiões do país, especialmente fora dos grandes centros urbanos, são essas empresas que garantem o acesso da população à assistência médica. Juntas, atualmente atendem 11,6 milhões de beneficiários de planos de saúde, sendo 2,6 milhões vinculados a operadoras de pequeno porte e 9 milhões a operadoras de médio porte. Manter essa estrutura, contudo, tem se tornado cada vez mais desafiador diante do aumento contínuo dos custos assistenciais, da judicialização e da ocorrência de fraudes.
“O aumento contínuo dos custos assistenciais, da judicialização e da ocorrência de fraudes têm impactado diretamente na previsão financeira das operadoras, sobretudo das menores. A sustentabilidade do setor depende de um ambiente regulatório e jurídico que permita planejamento e equilíbrio econômico para todos os agentes”, acrescenta Dietrich.
Nos últimos 12 meses, 63% dos custos com demandas judiciais foram referentes a procedimentos ou tratamentos fora do rol de cobertura definido pela ANS. Entre as operadoras de pequeno porte, essa proporção chega a 77%.
A ABRAMGE destaca também os avanços positivos nos indicadores do setor que refletem os esforços realizados pelas operadoras nos últimos anos. Porém, para uma parcela significativa das operadoras, alcançar resultados operacionais sustentáveis ainda é um desafio concreto. Garantir condições para que essas empresas continuem em atividade é fundamental para preservar a capilaridade da saúde suplementar e assegurar acesso à assistência médica a milhões de brasileiros em diferentes regiões do país.