Allianz Risk Barometer 2026: Ciber permanece como principal risco empresarial, mas IA é a que mais cresce e ocupa o 2º lugar

Ciber, especialmente ataques de ransomware, ocupa o 1º lugar pelo quinto ano consecutivo como o maior risco para empresas de todos os portes (42% das respostas globalmente).
Inteligência Artificial (IA) é a maior ascensão do ranking, saltando da 10ª para a 2ª posição (32%), destacando riscos emergentes para empresas de praticamente todos os setores.
Turbulências geopolíticas e incertezas impulsionam os riscos políticos e a violência para sua posição mais alta já registrada, em 7º lugar.
Desafios de implementação, exposições de responsabilidade e o impacto da desinformação gerada pelo avanço da IA lidera o ranking de riscos no Brasil (32%).

“O cenário de 2026 no Brasil exige que sejamos tão velozes quanto a tecnologia: com a Inteligência Artificial assumindo o topo dos riscos e a crise de energia e mudanças regulatórias ganhando relevância, nosso papel é garantir que a inovação caminhe lado a lado com a continuidade dos negócios e a segurança dos nossos clientes”, afirma Maurício Masferrer, Managing Director da Allianz Commercial Brasil
Munique, 30 de março de 2026 – Incidentes cibernéticos dominaram as manchetes em 2025 e continuam sendo a maior preocupação das empresas globalmente em 2026, de acordo com o Allianz Risk Barometer. O último ano também foi marcado pela rápida adoção da inteligência artificial (IA), refletida em sua posição como o maior avanço do ranking anual, alcançando o 2º lugar, como uma fonte complexa de risco operacional, jurídico e de reputação para as empresas. Ainda assim, quase metade dos respondentes acredita que a IA traz mais benefícios do que riscos para seu setor, embora um quinto pense o contrário. Pela primeira vez, a interrupção de negócios não figura entre os dois principais riscos, caindo para a 3ª posição. Ainda assim, permanece como uma preocupação relevante, pois pode ser consequência de outros riscos presentes no top 10 global.
Fatores como uma temporada de furacões mais tranquila em termos de perdas em 2025 fizeram com que as catástrofes naturais caíssem para a 5ª posição em relação ao ano anterior. Já os riscos políticos e a violência subiram da 9ª para a 7ª posição, impulsionados pelo aumento das preocupações com a volatilidade geopolítica e conflitos ao redor do mundo.
Brasil
No Brasil, os três principais riscos são: inteligência artificial, que surge como a principal preocupação (32%) em uma nova entrada diretamente no topo do ranking. Em seguida, aparecem os incidentes cibernéticos (31%) e as mudanças na legislação e regulamentação (28%), que apresentaram um crescimento significativo de importância em relação ao ano anterior. O ranking também destaca a relevância de riscos ambientais e operacionais, como mudanças climáticas (27%) e catástrofes naturais (21%), além das novas entradas de desenvolvimentos macroeconômicos e crise de energia, refletindo um ambiente de negócios focado na transformação digital e na volatilidade do cenário econômico e institucional.
Confira a lista 10 maiores riscos para os negócios no Brasil em 2026:
Inteligência artificial – 32% (novo risco em 2026)
Incidentes cibernéticos – 31% (classificação em 2025: 1ª posição – 41%) ↘
Alterações na legislação e regulamentação – 28% (em 2025: 7ª posição – 11%) ↗
Mudanças climáticas – 27% (em 2025: 2ª posição – 38%) ↘
Desastres naturais – 21% (em 2025: 3ª posição – 36%) ↘
Interrupção de negócios – 19% (em 2025: 4ª posição – 32%) ↘
Incêndios, explosões: 15% (em 2025: 5ª posição – 19%) ↘
Desenvolvimentos macroeconômicos – 15% (novo risco em 2026)
Desenvolvimentos de mercado – 12% (em 2025: 6ª posição – 12%) ↘
Crise energética – 11% (novo risco em 2026)
O CEO da Allianz Commercial, Thomas Lillelund, comenta: “Após a volatilidade e a incerteza de 2025, as empresas continuam enfrentando riscos interconectados e altamente complexos em um ambiente de rápidas transformações em 2026. Considerando a crescente importância da IA ​​na sociedade e na indústria, não é surpreendente que ela seja o principal fator de variação no Allianz Risk Barometer. Além de trazer enormes oportunidades, seu potencial transformador, aliado à rápida evolução e adoção, está remodelando o cenário de riscos, tornando-se uma preocupação central para empresas de todos os portes em todo o mundo, ao lado de ameaças mais estabelecidas.”
Riscos cibernéticos são, de longe, a maior preocupação das empresas
Em 2026, os incidentes cibernéticos ocupam o topo do ranking global pelo quinto ano consecutivo, com sua maior pontuação histórica (42% das respostas) e com a maior margem já registrada (+10%). O risco lidera em todas as regiões (Américas, Ásia-Pacífico, Europa, África e Oriente Médio). A permanência do risco cibernético no topo do Allianz Risk Barometer reflete a crescente dependência das tecnologias digitais em um momento em que o cenário de ameaças cibernéticas, bem como os ambientes geopolítico e regulatório, evoluem rapidamente. Ataques cibernéticos recentes de grande repercussão reforçam a ameaça contínua para empresas de todos os portes. Pequenas e médias empresas têm sido cada vez mais visadas e pressionadas devido à escassez de recursos em segurança cibernética.
“Os investimentos das grandes empresas em segurança cibernética e resiliência têm dado resultado, permitindo detectar e responder a ataques de forma antecipada. No entanto, o risco cibernético continua evoluindo. As organizações dependem cada vez mais de fornecedores terceiros para dados e serviços críticos, enquanto a IA potencializa as ameaças, ampliando a superfície de ataque e agravando vulnerabilidades existentes”, explica Michael Bruch, Global Head de Risk Consulting Advisory Services da Allianz Commercial.
IA cria riscos emergentes e novas oportunidades de negócios
A IA avançou rapidamente para o grupo dos principais riscos empresariais globais, subindo para a 2ª posição (32%) em 2026, após ocupar o 10º lugar em 2025 — o maior salto do ranking deste ano. Trata-se de um movimento significativo em todas as regiões: 2º lugar nas Américas, Ásia-Pacífico e África e Oriente Médio, e 3º lugar na Europa. O risco também cresce para empresas de todos os portes, entrando no top 3 entre grandes, médias e pequenas organizações. À medida que a adoção da IA acelera e se integra às operações centrais dos negócios, os respondentes esperam que os riscos associados se intensifiquem, especialmente no que diz respeito à responsabilidade civil. A rápida disseminação de sistemas de IA generativa e agêntica, aliada ao seu uso crescente no mundo real, aumentou a percepção de quão expostas as organizações se tornaram.
As empresas veem cada vez mais a IA não apenas como uma poderosa oportunidade estratégica, mas também como uma fonte complexa de riscos operacionais, legais e reputacionais. Em muitos casos, a adoção está avançando mais rapidamente do que a governança, a regulação e a capacitação da força de trabalho conseguem acompanhar”, afirma Ludovic Subran, Chief Economist da Allianz. “À medida que mais empresas tentarem escalar em 2026, enfrentarão maior exposição a problemas de confiabilidade dos sistemas, limitações na qualidade dos dados, desafios de integração e escassez de talentos qualificados. Ao mesmo tempo, surgem novas exposições de responsabilidade relacionadas à tomada de decisões automatizadas, modelos enviesados ou discriminatórios, uso indevido de propriedade intelectual e incertezas sobre quem é responsável quando resultados gerados por IA causam danos.”
Interrupção de negócios fortemente ligada aos riscos geopolíticos
O ano de 2025 marcou uma mudança em direção a políticas comerciais protecionistas e guerras tarifárias que trouxeram incertezas à economia global. Também foi um período de conflitos regionais no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia, além de disputas fronteiriças entre Índia/Paquistão e Tailândia/Camboja, e guerras civis na África — uma tendência que continua em 2026 com a intervenção dos EUA na Venezuela. Os riscos geopolíticos estão colocando as cadeias de suprimentos sob pressão crescente, mas, apesar disso, apenas 3% dos respondentes do Allianz Risk Barometer consideram suas cadeias de suprimentos “muito resilientes”. Somente no último ano, as restrições comerciais triplicaram, afetando cerca de US$ 2,7 trilhões em mercadorias — quase 20% das importações globais, segundo a Allianz Trade — impulsionando empresas a explorar tendências como friendshoring e regionalização. Esses fatores contribuem para uma alta percepção de risco: 29% dos respondentes apontam a interrupção de negócios como um dos principais riscos, posicionando-a em 3º lugar, apesar da queda de uma posição em relação ao ano anterior.
Como esperado, os riscos políticos e a violência sobem duas posições, alcançando o 7º lugar, sua classificação mais alta até hoje. O risco intimamente relacionado de mudanças na legislação e regulamentação — que inclui tarifas comerciais — ocupa o 4º lugar global, sem alteração em relação ao ano anterior, mas com aumento no número de respondentes, impulsionado por preocupações com o avanço do protecionismo. De fato, a paralisação global das cadeias de suprimentos devido a um conflito geopolítico é considerada o cenário de “cisne negro” mais provável de se materializar nos próximos cinco anos por 51% dos respondentes.
O cenário de riscos na América Latina é atualmente dominado pela transformação digital e pela instabilidade institucional, com a Inteligência Artificial (42%) e os Incidentes Cibernéticos (41%) isolados no topo das preocupações. Esta dualidade tecnológica reflete o temor das empresas quanto à desinformação, vulnerabilidades de rede e desafios de implementação, superando riscos tradicionais da região. Em um segundo patamar, surgem riscos regulatórios (25%), interrupção de negócios (20%) e catástrofes naturais (19%), desenhando um perfil de vulnerabilidade que mistura a modernização acelerada com a histórica volatilidade política e climática do continente.
David Colmenares, Regional Managing Director América Latina, comenta: “Para 2026, a perspectiva é de que a América Latina enfrente uma “convergência crítica” de riscos. A maturidade das ferramentas de IA deve transformar o risco de 1º lugar de uma ameaça teórica para uma crise operacional real, especialmente no que diz respeito a fraudes financeiras e manipulação política em anos eleitorais. Espera-se que a Mudança Climática (7º lugar) suba no ranking, à medida que eventos extremos impactem severamente as cadeias de suprimentos e a infraestrutura, forçando governos a implementarem legislações ambientais mais rigorosas (alimentando o risco de 3º lugar). Além disso, a polarização política e a volatilidade macroeconômica continuarão a atuar como ruídos de fundo constantes, exigindo que as empresas na região invistam pesadamente em resiliência cibernética e planos de continuidade de negócios para sobreviverem a um ambiente de baixo crescimento e alta pressão regulatória.”
Sobre o Allianz Risk Barometer
O Allianz Risk Barometer é um ranking anual de riscos empresariais elaborado pela seguradora corporativa do Grupo Allianz, a Allianz Commercial, em conjunto com outras entidades do grupo. O estudo reúne as opiniões de 3.338 especialistas em gestão de riscos, em 97 países e territórios, incluindo executivos seniores, gestores de risco, corretores e especialistas em seguros. Esta é a 15ª edição da publicação.

Sobre a Allianz Commercial
Allianz Commercial é o centro de expertise e a linha global do Grupo Allianz para seguros empresariais, atendendo desde empresas de médio porte até grandes corporações e riscos especializados. Entre nossos clientes estão algumas das maiores marcas de consumo do mundo, instituições financeiras, líderes do setor, além das indústrias globais de aviação e transporte marítimo. Também protegemos empresas familiares e de médio porte – a espinha dorsal da economia. Cobrimos riscos únicos, como parques eólicos offshore, projetos de infraestrutura e produções cinematográficas.
Combinamos a expertise de nossos colaboradores, a solidez financeira e o reconhecimento da Allianz como a marca de seguros nº 1 do mundo, segundo a Interbrand, para ajudar nossos clientes a se prepararem para o futuro. Eles confiam em nós para oferecer soluções abrangentes de transferência de risco – tradicionais e alternativas –, consultoria de risco de excelência, serviços para multinacionais e um gerenciamento de sinistros ágil e eficiente.
O nome Allianz Commercial une o negócio de seguros corporativos da Allianz Global Corporate & Specialty (AGCS) e a operação de seguros comerciais das entidades nacionais da Allianz Property & Casualty, que atendem empresas de médio porte. Estamos presentes em mais de 200 países e territórios, seja por meio de nossas próprias equipes ou da rede global e parceiros do Grupo Allianz. Em 2024, o negócio integrado da Allianz Commercial gerou aproximadamente €18 bilhões em prêmios brutos globalmente. https://commercial.allianz.com/

Foto: Maurício Masferrer, Managing Director da Allianz Commercial Brasil

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