Relatório aponta que falhas mecânicas e elétricas representam mais de 70% dos sinistros no setor e mais de 80% do impacto financeiro anual – A expansão da demanda por eletricidade, impulsionada pela eletrificação da economia, pelo avanço dos data centers e pelo crescimento de novas fontes de geração, aumenta a pressão sobre ativos críticos do setor elétrico e reforça a necessidade de estratégias mais robustas de prevenção de perdas em todo o mundo. É o que aponta o novo relatório da FM, seguradora líder mundial em seguros patrimoniais e prevenção de perdas.
No Brasil, esse cenário ganha relevância diante da expansão prevista para o sistema elétrico nacional. Segundo a primeira revisão quadrimestral das previsões de carga para o planejamento 2026-2030, divulgada por EPE, ONS e CCEE, a carga do Sistema Interligado Nacional deve crescer, em média, 4,0% ao ano no período, chegando a aproximadamente 99 GW em 2030. A projeção considera, entre outros fatores, a expansão dos data centers, a micro e minigeração distribuída e a integração de Roraima ao Subsistema Norte.
Nesse contexto, o relatório “Understanding Power Generation: Loss Trends and Predictive Analytics” detalha as principais vulnerabilidades dos sistemas de geração de energia, as causas mais frequentes de sinistros e as práticas recomendadas para melhorar a resiliência operacional do setor. O estudo se baseia em décadas de dados de sinistros de clientes da FM em geração de energia em diferentes mercados.
De acordo com o relatório, a demanda global de eletricidade deve crescer 3,6% ao ano entre 2026 e 2030. No entanto, a capacidade de resposta das geradoras enfrenta um gargalo físico e logístico relevante: os prazos de entrega para substituição de grandes transformadores de energia podem chegar a 2 ou 3 anos, enquanto os horizontes de substituição para turbinas a gás variam de 3 a 7 anos. Mesmo componentes menores, como buchas condensivas acima de 62 kV, já podem levar mais de um ano para serem obtidas.
“A geração de energia é uma atividade estratégica para a economia, para a infraestrutura crítica e para a continuidade de diversos setores produtivos”, afirma Daniel Mazzi, presidente da operação brasileira da FM Seguros. “Quando ocorre uma perda relevante nesse segmento, os impactos podem ir muito além da planta afetada, alcançando cadeias de produção, disponibilidade de energia e comunidades. Em um cenário de aumento da demanda e maior complexidade operacional, antecipar vulnerabilidades e gerenciar riscos de forma proativa é essencial para proteger ativos críticos e fortalecer a resiliência do setor”, explica Mazzi.
Onde estão as vulnerabilidades
As avarias mecânicas e elétricas são as principais causadoras de perdas em geração de energia, representando mais de 70% de todos os sinistros analisados pela FM e mais de 80% do impacto financeiro total anual. As turbinas a gás aparecem como a maior fonte isolada de danos à propriedade em todo o setor.
Turbinas a gás e transformadores também estão entre os principais responsáveis por perdas associadas à interrupção de negócios, em grande parte devido às restrições globais na cadeia de suprimentos e aos longos prazos de reposição desses equipamentos críticos.
No período de dez anos, entre 2016 e 2025, o setor acumulou US$ 4,6 bilhões em perdas brutas entre clientes da FM, sendo US$ 2,6 bilhões em danos materiais e US$ 2 bilhões em lucros cessantes. A quebra de maquinário respondeu por 44% das perdas, seguida por falhas elétricas, com 28%.
Somente entre 2021 e 2025, os clientes da FM registraram 427 sinistros em geração de energia, totalizando aproximadamente US$ 3,7 bilhões em perdas brutas. Turbinas e transformadores representaram, de forma consistente, algumas das fontes de perda mais graves e dispendiosas.
Entre as principais causas de perdas identificadas pelo relatório estão:
Incêndios originados por falhas elétricas, mecânicas ou de trabalhos a quente, como corte e solda.
Sobrecarga em transformadores, painéis elétricos e sistemas de resfriamento, especialmente em operações com cargas concentradas de alta densidade e perfis de carga mais voláteis, como data centers.
Interrupções de negócios decorrentes da dependência de equipamentos críticos únicos, cuja substituição pode levar anos em razão dos gargalos da cadeia global de suprimentos.
Prevenção como estratégia de resiliência
O relatório também reforça o impacto da prevenção de perdas na redução da severidade dos sinistros. Segundo a FM, mais de um quarto das perdas de seus clientes, aproximadamente 27%, tem origem em apenas 2% dos locais previamente identificados como mais propensos a sofrer um sinistro.
Com base em modelagem estatística aplicada a uma base global de 60.000 locais visitados, a FM afirma ser capaz de identificar as 1.000 localizações mais predispostas a perdas superiores a US$ 3 milhões. A companhia combina ciência, pesquisa, engenharia, visitas técnicas, relacionamento com fabricantes de equipamentos, dados reais de campo e análise preditiva para orientar clientes na gestão de riscos.
Globalmente, a FM realiza mais de 1.900 visitas anuais de engenharia em plantas de geração de energia. Essas avaliações apoiam recomendações relacionadas à inspeção, testes, monitoramento, manutenção, ordem e limpeza, planos de contingência e treinamentos baseados em cenários de falhas, como perda de lubrificação, sobrevelocidade e falhas de controle.
“A prevenção de perdas se torna mais efetiva quando combina dados, engenharia e conhecimento de campo para antecipar vulnerabilidades antes que elas se transformem em sinistros relevantes. Esse trabalho permite que as empresas reduzam a exposição a perdas severas, protejam a continuidade de suas operações e tenham mais previsibilidade para sustentar sua confiabilidade e seus resultados no longo prazo”, explica Mazzi.
O relatório completo, em inglês, está disponível para download no site da FM:
https://fmglobalpublic.hartehanks.com/AssetDisplay?acc=11FM&itemCode=WF500935_BRZ
Sobre a FM
Estabelecida há quase dois séculos, a FM é uma seguradora mútua cujo capital, recursos de pesquisa científica e conhecimento em engenharia são exclusivamente dedicados ao gerenciamento de riscos patrimoniais e à resiliência de seus clientes. Esses clientes, que compartilham a compreensão de que a maioria das perdas patrimoniais pode ser evitada, representam várias das maiores organizações mundiais, inclusive uma em cada quatro das empresas da Fortune 500. Eles trabalham com a FM para compreender melhor os riscos que podem afetar a continuidade de seus negócios e tomar decisões de gerenciamento de risco com melhor custo/benefício, combinando prevenção de perdas patrimoniais com proteção por seguro.


