Avanço da autonomia tecnológica exige novos mecanismos de controle, supervisão e rastreabilidade no setor – À medida que os agentes de Inteligência Artificial (IA) deixam de apenas recomendar ações e passam a executar etapas de processos de negócio, as seguradoras terão de rever seus modelos de governança. A mudança exige acompanhar não apenas os modelos utilizados, mas também os dados consultados, as ferramentas acionadas, as decisões tomadas e o grau de autonomia concedido à tecnologia. A análise foi apresentada por Adriano Candido, Vice-Presidente de Negócios para Segmentos Estratégicos da Softtek, durante sua participação no InsureMO Create & Connect 2026, realizado em São Paulo.
Segundo o executivo, o mercado segurador entra em uma nova etapa da transformação digital. Depois de anos de digitalização e automação, a combinação de IA generativa e agentes começa a redesenhar os próprios processos de negócio. “Hoje já vemos aplicações muito concretas de IA em toda a cadeia de valor, mas o maior impacto dos próximos anos virá quando passarmos de uma tecnologia que apenas recomenda para uma que também executa. Com os agentes de IA, teremos processos orquestrados de forma mais autônoma, o que muda a maneira como as seguradoras operam e tomam decisões de negócios”, afirma.
IA passa a participar das decisões
O avanço do setor vai além de aplicar inteligência em etapas isoladas do processo. A nova fronteira está em conectar essas diferentes capacidades para que agentes inteligentes coordenem a jornada de ponta a ponta.
Na subscrição, por exemplo, a IA pode combinar múltiplos sinais e variáveis de risco para apoiar uma avaliação mais precisa e contextualizada. Em sinistros, pode analisar documentos, imagens e históricos desde o primeiro contato, realizando a triagem e identificando inconsistências. Já na prevenção a fraudes, a correlação de grandes volumes de informações amplia a capacidade de identificar padrões e atuar de forma preventiva.
Com isso, a principal mudança não está apenas no ganho de eficiência. “A grande oportunidade da IA está em aumentar a qualidade e a velocidade das decisões. Quando essa capacidade é aplicada a uma jornada completa, a tecnologia deixa de transformar apenas a operação e começa a transformar também a proposição de valor da seguradora para o cliente”, destaca Candido.
Da governança do modelo à governança da decisão
O avanço dos agentes, porém, traz novos desafios. Enquanto aplicações de IA generativa podem atuar como apoio aos profissionais, agentes são capazes de consultar dados, acessar sistemas e executar ações. Por isso, torna-se necessário controlar também a autonomia concedida à tecnologia.
À medida que os agentes ganham autonomia, a governança também precisa evoluir, passando do controle dos modelos para o acompanhamento das decisões e das ações executadas pela tecnologia, incluindo garantir a rastreabilidade do processo, com visibilidade sobre os dados considerados, os modelos utilizados, as ferramentas acionadas e os momentos de intervenção humana.
Para equilibrar inovação e controle, a Softtek defende uma governança proporcional ao risco, em que o nível de controle acompanha o impacto potencial de cada aplicação. Uma solução usada para resumir documentos internos, por exemplo, não exige o mesmo grau de supervisão de outra que recomenda a aceitação de um risco, determina preços ou participa da decisão sobre um sinistro.
De acordo com Candido, o equilíbrio entre inovação e controle será decisivo para que as seguradoras avancem dos experimentos para aplicações de IA em escala. Nesse cenário, a governança deve acompanhar o impacto e o grau de autonomia de cada solução, ampliando os controles conforme os riscos envolvidos. “As empresas vencedoras não serão necessariamente aquelas que adotarem mais IA, mas as que conseguirem encontrar o melhor equilíbrio entre velocidade, autonomia e confiança”, ressalta.
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