Relatório do IESS mostra que planos médico-hospitalares chegaram a 53,2 milhões de beneficiários, mas mantêm cobertura de cerca de 25% da população – O número de beneficiários de planos médico-hospitalares atingiu o recorde de 53,2 milhões em julho de 2026, mas esse crescimento não foi acompanhado, na mesma proporção, pela expansão da taxa de cobertura da população brasileira. Em 2014, cerca de 25,2% da população possuía esse tipo de plano. Em julho, a proporção chegou a aproximadamente 24,8%, 0,4 ponto percentual abaixo do registrado em 2014. No período, o número de beneficiários cresceu cerca de 5,2%, enquanto a população brasileira aumentou aproximadamente 6,7%. Os dados estão na Nota de Acompanhamento de Beneficiários (NAB) nº 121, do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). Clique aqui e acesse a íntegra do relatório ou acesse www.iess.org.br.
O número de beneficiários médico-hospitalares passou de 30,9 milhões em 2000 para 50,5 milhões em 2014. Depois, recuou até 47,1 milhões em 2019 e voltou a crescer nos anos seguintes, chegando aos atuais 53,2 milhões. O total está cerca de 2,6 milhões acima do registrado no fim de 2014.
“O recorde de beneficiários é relevante, mas precisa ser analisado também em relação ao tamanho da população brasileira. Hoje há mais pessoas com planos médico-hospitalares do que em qualquer outro momento da série, mas a taxa de cobertura permanece próxima do pico observado em 2014”, afirma Denizar Vianna, superintendente executivo do IESS. “Se há o entendimento de que a saúde suplementar é estratégica à gestão do sistema integrado de saúde do Brasil, esse dado merece uma reflexão sobre o que é necessário para que a cobertura dos planos de saúde seja ampliada para a população”, observa.
Planos odontológicos ampliam presença
Nos planos exclusivamente odontológicos, a trajetória foi diferente. Em 2014, eles atendiam cerca de 10,0% da população brasileira. Em julho de 2026, a cobertura chegou a aproximadamente 17,2%, avanço de 7,2 pontos percentuais. O número de beneficiários alcançou 37,0 milhões, ante 20,1 milhões em 2014 e 2,3 milhões em 2000.
Em 2000, a taxa de cobertura dos planos odontológicos correspondia a menos de 10% da observada nos planos médico-hospitalares. Em julho deste ano, essa relação se aproximou de 70%. Os segmentos possuem características de complementaridade, sobretudo quando se trata do cuidado integrado da saúde. Por isso, o crescimento da participação dos planos exclusivamente odontológicos na saúde suplementar é muito positivo, na visão do IESS.
“As trajetórias dos dois segmentos são distintas: enquanto a cobertura médico-hospitalar teve pouca variação desde 2014, os planos odontológicos ampliaram de forma contínua sua presença na população”, pontua Vianna. “A odontologia suplementar tem um custo menor, o que pode ser um atrativo, mas é preciso considerar que a experiência de cuidado, acesso e segurança trazida pelo segmento médico-hospitalar também estimula a contratação no segmento odontológico”, analisa.
Entre julho de 2025 e julho de 2026, os planos médico-hospitalares ganharam 726,2 mil beneficiários, alta de 1,4%. Nos exclusivamente odontológicos, foram acrescentados 2,7 milhões de vínculos, crescimento de 7,8%.
Nos planos médico-hospitalares, 44,7 milhões de beneficiários (84,2% do total) estavam em contratos coletivos em julho, sendo 38,9 milhões em contratos coletivos empresariais. Em 12 meses, essa modalidade cresceu 2,5%, com acréscimo de 936,3 mil vínculos. No sentido contrário, os planos individuais ou familiares perderam 191,1 mil beneficiários, queda de 2,2%.
O movimento ocorreu em um período de expansão do emprego formal. O estoque de vínculos formais no País passou de 47,2 milhões em julho de 2025 para 48,1 milhões em julho de 2026, crescimento de 1,9% e saldo de 880,7 mil empregos.
Sobre o IESS
O Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) é uma organização sem fins lucrativos dedicada à produção de estudos técnicos e conceituais sobre a saúde suplementar no Brasil. O Instituto contribui para a formulação de políticas públicas e a disseminação de boas práticas, com foco na sustentabilidade do sistema, no aprimoramento do financiamento da saúde e na qualificação do debate setorial. Reconhecido pela excelência técnica e independência, o IESS é referência nacional na produção de dados, análises e propostas voltadas ao desenvolvimento da saúde suplementar.


