No Congresso Brasileiro de Atuária, presidente da Sou Segura diz que diversidade “deixou de ser ideologia” e pede dados para seguro inclusivo

24/08/2026

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Camila Maximo participou do painel sobre a dimensão social do ESG no 15º CBA, no Rio de Janeiro, e destacou o papel da ciência atuarial na mensuração de riscos, na inclusão e no uso responsável da inteligência artificial – A presidente da Sou Segura, Associação das Mulheres do Mercado de Seguros, Camila Maximo, participou do 15º Congresso Brasileiro de Atuária (CBA), promovido pelo Instituto Brasileiro de Atuária (IBA), no Rio de Janeiro. No painel dedicado à dimensão social do ESG e à contribuição da ciência atuarial para a mensuração de riscos e a sustentabilidade, a atuária e consultora estratégica defendeu que a agenda de diversidade e inclusão precisa ser tratada com a mesma lógica numérica que orienta as demais decisões do setor.

“A diversidade já não é mais uma ideologia. É um ponto que mexe com o lucro da empresa, com a produtividade e com a saúde mental dos funcionários”, afirmou Camila. Segundo a executiva, o argumento mais eficaz para levar o tema aos comitês executivos é estatístico: “a maioria dos lares brasileiros é chefiada por mulheres, e é a mulher que está na decisão de compra daquela família. Se você faz o produto certo, precifica certo e direciona, você consegue metrificar o resultado de uma ação voltada para a mulher. Minha defesa em Comitês Executivos é sempre voltada para lucro, com números e ações possíveis, porque é essa métrica que os executivos entendem”. Ela lembrou ainda de marcos regulatórios, como a NR-1, que exige das empresas a mensuração da saúde mental dos trabalhadores, e dos relatórios de sustentabilidade, que tornam a pauta cada vez mais objetiva.

Um dos alertas centrais da apresentação foi a lacuna de dados sobre as populações mais vulneráveis, que hoje ficam de fora dos produtos disponíveis no mercado. “Essas pessoas não passam na régua de análise e aceitação de risco das grandes empresas. A precificação e as modelagens atuais não as contemplam”, apontou. Para a presidente da Sou Segura, o caminho passa pelo fortalecimento do seguro inclusivo: “Quantos seguros inclusivos temos disponíveis no mercado? Temos uma divisão de microsseguros, mas o quanto ela chega às pessoas? Falta estatística. Deveríamos avançar por um modelo de mútuas, cooperativas e microsseguros, com produtos acessíveis”, inclusive, provocou, diante da concorrência de novos comportamentos de consumo, como as apostas online.

A inteligência artificial também esteve no centro do debate. Para Camila, a discussão “deixou de ser se vamos usar IA, e passou a ser como vamos usá-la”. A executiva reconheceu os ganhos da tecnologia em automação, modelagem e projeções, mas fez um recorte de gênero: “Vemos seleções de currículos por algoritmos que são ensinados por alguém, e nem sempre a IA favorece a escolha de uma mulher para uma posição. Se conseguíssemos uma IA isenta desses preconceitos, sem idade, gênero e raça, daríamos um passo importante. Temos ensinado a IA para o lado bom e para o lado ruim”. Na própria Sou Segura, contou, a tecnologia é usada justamente para garantir imparcialidade: “Nossos programas fazem seleções e avaliações de métricas em massa. A IA nos permite ser imparciais, porque não é nenhuma diretora avaliando a própria empresa em que trabalha”.

Camila destacou, por fim, que nenhuma política de inclusão se sustenta sem patrocínio do topo das organizações: “As iniciativas que funcionam são aquelas que vêm da liderança, em que o comitê executivo genuinamente comprou essa temática. Sem alguém comprando esse tema e fazendo toda a organização refletir, fica muito difícil implementar políticas diferentes do que fazemos no automático todos os dias”.

Considerado o maior encontro da ciência atuarial no país, o 15º CBA teve como tema central “Risco, Dados e Inteligência: o Papel Estratégico do Atuário na Sociedade Brasileira” e reuniu profissionais, pesquisadores, executivos e representantes de órgãos reguladores dos mercados de seguros, previdência, saúde, finanças e gestão de riscos.

Sobre Camila Maximo

Atuária e consultora estratégica para o mercado segurador, Camila Maximo tem mais de 20 anos de experiência, com passagens por Allianz, Swiss Re, Berkley e EY, liderando projetos de transformação organizacional, inovação, novos negócios e resseguro. É acadêmica da Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP), membro do Instituto Brasileiro de Atuária, coautora do livro Mulheres no Seguro e foi finalista do Women in Insurance Awards em 2025.

Sobre a Sou Segura – https://sousegura.org/

A Sou Segura é uma associação sem fins lucrativos que atua na promoção da equidade de gênero e no desenvolvimento de mulheres no mercado de seguros.

Por meio de programas de mentoria, educação, networking, produção de conteúdo e reconhecimento de boas práticas corporativas, a entidade contribui para ampliar oportunidades, fortalecer lideranças e acelerar a transformação do setor.