El Niño acende alerta para proteção de patrimônios e residências na região Sul

25/08/2026

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Especialista orienta sobre a importância de avaliar seguros residenciais e patrimoniais diante da influência do fenômeno sobre as chuvas e do aumento do risco climático – O avanço do El Niño sobre o regime de chuvas da Região Sul coloca a proteção financeira de famílias e empresas novamente em evidência. Para além das previsões meteorológicas, a ocorrência de eventos extremos traz uma questão prática: imóveis, bens e renda estão preparados para absorver financeiramente os efeitos de um imprevisto?

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o El Niño já começou a influenciar as chuvas no Sul do Brasil. O fenômeno tende a aumentar a frequência e o volume das precipitações na região, e as previsões apontam possibilidade de permanência até o início de 2027. Nota técnica conjunta do INPE, INMET, Funceme e Censipam indica probabilidade superior a 80% de configuração do fenômeno ao longo do segundo semestre de 2026.

Os impactos financeiros provocados por eventos climáticos recentes ajudam a dimensionar a preocupação. No Rio Grande do Sul, as seguradoras desembolsaram R$ 21,14 milhões em indenizações de seguro residencial somente em janeiro de 2026, aumento de 37,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A arrecadação do segmento no estado chegou a R$ 58,12 milhões no período, alta de 6,4%.

Outro indicador vem das coberturas relacionadas a enchentes e alagamentos. Em 2025, a Região Sul respondeu por 21% dos acionamentos dessas coberturas no seguro residencial de uma das principais seguradoras do país e concentrou 25% das contratações. Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul estiveram entre os estados com maior participação nesses registros.

Dados do Sistema Ailos mostram que mais de 500 mil seguros de vida e patrimônio estavam vigentes entre os cooperados ao final de 2025. O sistema reúne 14 cooperativas de crédito e tem presença em mais de 140 cidades, incluindo Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.

Quando é a hora certa para contratar um seguro

Para a cooperativa de crédito CredCrea, o momento reforça a importância de tratar o seguro como parte do planejamento financeiro, e não apenas como uma proteção acionada depois de um prejuízo. Antes de contratar ou renovar uma apólice, a recomendação é avaliar quais riscos fazem sentido para cada realidade e conferir se as coberturas existentes acompanham eventuais mudanças no patrimônio ou na composição familiar.

“Quando falamos em seguro, muitas vezes pensamos na contratação e esquecemos de verificar se aquela proteção continua adequada à nossa realidade. Uma mudança na residência, a aquisição de um bem ou uma nova configuração familiar podem alterar as necessidades de proteção. Por isso, revisar periodicamente as coberturas é uma forma de manter o planejamento financeiro atualizado”, explica o especialista em seguros Vinicius Luiz Pedrotti da CredCrea.

Ainda segundo Vinicius, a análise das condições da apólice também merece atenção. Coberturas, limites de indenização, franquias e exclusões variam conforme o produto contratado, e determinados danos provocados por eventos climáticos podem depender de coberturas específicas. Também vale conhecer as assistências disponíveis no seguro residencial, que podem incluir serviços como eletricista, chaveiro, limpeza de caixa-d’água e pequenos reparos. Muitas vezes, esses serviços já estão previstos na contratação e podem ser úteis no dia a dia, mesmo quando não há um sinistro. Por isso, conhecer as condições e os benefícios do contrato antes de uma eventual ocorrência é parte importante da prevenção.

No caso do seguro residencial e patrimonial, a avaliação pode considerar o imóvel, equipamentos e outros bens, conforme as coberturas contratadas. Já o seguro de vida tem outra finalidade: contribuir para a proteção financeira dos beneficiários (quem recebe a indenização do seguro) diante de situações que possam comprometer a renda familiar.

“Seguro não elimina o risco, mas pode reduzir o impacto financeiro de um acontecimento inesperado. A ideia é avaliar previamente quais situações poderiam comprometer o patrimônio ou a renda e verificar se existe uma proteção adequada para elas”, acrescenta Pedrotti.

Com o El Niño já influenciando as condições de chuva no Sul, o período é oportuno para uma revisão financeira preventiva. Conferir o que está protegido, quais coberturas foram contratadas e quais situações permanecem descobertas pode fazer diferença antes que uma ocorrência climática transforme um risco conhecido em prejuízo.