ANSP Café debate impactos econômicos dos eventos climáticos extremos no Brasil durante a São Paulo Climate Week 2026

11/08/2026

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A Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP) promoveu, no dia 3 de agosto, o ANSP Café – evento integrante da programação da São Paulo Climate Week 2026, com o tema “Impactos Econômicos dos Eventos Climáticos Extremos no Brasil”. O encontro reuniu especialistas dos setores de seguros, resseguros, direito e gestão de riscos para discutir os efeitos cada vez mais relevantes dos eventos climáticos sobre a economia, as empresas e a sociedade.

Realizado em São Paulo, o evento contou com a abertura do presidente da ANSP, Ac. Edmur de Almeida, e teve a mesa-redonda moderada pelo Ac. Alfredo Chaia, diretor de Gestão de Riscos da Academia, e pelo Ac. Vitor Boaventura Xavier, coordenador da Cátedra ESG da ANSP. Participaram dos debates Hermes Brancalião, Executive Director e Head of Property da Swiss Re Corporate Solutions no Brasil; Ac. Ana Paula de Almeida Santos, presidente do GNT de Meio Ambiente, Riscos Climáticos e Catastróficos da AIDA Brasil; Ac. Luiza Perrelli Bartolo, coordenadora da Cátedra de Responsabilidade Civil da ANSP; e Ac. Rodrigo Botti, Country Head da Lockton Re e coordenador da Cátedra de Resseguro.

Ao longo do encontro, os participantes destacaram que os eventos climáticos extremos deixaram de ser tratados como riscos emergentes e passaram a representar uma realidade concreta para o Brasil. A discussão abordou fenômenos como enchentes, secas e outros eventos severos e seus impactos sobre a infraestrutura, a atividade empresarial, as finanças públicas e a capacidade de proteção da sociedade.

Um dos principais pontos levantados foi a necessidade de avançar de uma postura predominantemente reativa para uma abordagem baseada em prevenção, planejamento e gestão de riscos. Nesse contexto, o seguro foi apresentado não apenas como mecanismo de indenização após a ocorrência de um evento, mas também como instrumento capaz de estimular medidas de adaptação e resiliência. A integração entre governos, empresas, seguradoras, sociedade e demais agentes foi apontada como fundamental para ampliar a capacidade de resposta.

Os impactos econômicos também estiveram no centro das discussões. O caso do Rio Grande do Sul foi utilizado como referência para demonstrar a dimensão das perdas provocadas por eventos extremos e a baixa parcela desses prejuízos que conta com cobertura securitária. Segundo dados apresentados durante o debate, as perdas econômicas estimadas relacionadas às enchentes no estado chegaram a aproximadamente R$ 90 bilhões a R$ 95 bilhões, enquanto menos de 10% desse montante corresponderia a perdas seguradas.

A mesa também discutiu o papel do poder público no financiamento dos riscos e os impactos desses eventos sobre os orçamentos governamentais. Os participantes ressaltaram que, diante de uma baixa penetração do seguro, o Estado acaba assumindo grande parte dos custos de reconstrução, transferindo posteriormente essa conta para a sociedade. Nesse cenário, mecanismos de proteção e financiamento de riscos podem contribuir para reduzir a pressão sobre os recursos públicos.

Outro eixo importante foi a necessidade de aprimorar a modelagem e a subscrição dos riscos. Com o aumento da frequência e da severidade dos eventos climáticos, os modelos baseados exclusivamente no histórico de sinistros tornam-se insuficientes. O debate apontou para a importância de novas ferramentas, dados, tecnologias e soluções de seguro capazes de acompanhar um cenário de maior incerteza.

A gestão de riscos foi destacada ainda como elemento essencial para a continuidade das operações. Entre os exemplos discutidos estiveram medidas de adaptação de instalações, escolha adequada de localidades para novos investimentos e alterações na infraestrutura para reduzir os efeitos de possíveis inundações e outros eventos extremos. A prevenção, nesse sentido, pode representar não apenas uma despesa, mas um investimento na preservação do patrimônio e na continuidade dos negócios.

A relação entre eventos climáticos e responsabilidade civil também integrou a programação. Os debatedores analisaram como o aumento da previsibilidade e da recorrência de determinados eventos pode impactar a caracterização de situações anteriormente tratadas como fortuitas, ampliando a importância da adoção de medidas preventivas por empresas e organizações. A discussão reforçou que a gestão adequada dos riscos climáticos passa a integrar também as responsabilidades de governança das organizações.

Ao promover o encontro no âmbito da São Paulo Climate Week, a ANSP reforçou seu compromisso com a produção e disseminação de conhecimento sobre seguros, riscos e proteção da sociedade. A participação da Academia na programação buscou ampliar o diálogo com a sociedade civil e contribuir para uma visão integrada sobre os desafios climáticos, aproximando o mercado de seguros das discussões sobre adaptação, prevenção e resiliência.

Confira o evento na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=ETkH1X2dM0M