(*) Por Denis Morais, presidente da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap) – Em 4 de setembro de 1929, o mercado brasileiro registrava a venda do primeiro Título de Capitalização. Era o início de uma trajetória que atravessaria diferentes momentos da história do país, acompanhando transformações econômicas, sociais e tecnológicas e se adaptando às novas necessidades da sociedade.
Hoje, 97 anos depois, a Capitalização se aproxima de seu centenário. Esse marco representa muito mais do que longevidade. É um convite para revisitar uma trajetória de transformações, reconhecer o que foi construído ao longo desse caminho e, principalmente, pensar nos próximos capítulos dessa história.
Ao longo de quase um século, a Capitalização ampliou sua atuação, desenvolvendo diferentes modalidades e propostas de benefícios para atender a perfis e necessidades diversas. Hoje, oferece soluções que vão do estímulo à disciplina financeira e das garantias de contratos ao apoio ao crédito, passando por ações de marketing e relacionamento e pela destinação de recursos a entidades beneficentes. Manteve, nesse percurso, uma característica essencial: a capacidade de apoiar o planejamento e contribuir para a realização de projetos e sonhos.
É justamente essa capacidade de se diversificar que permite olhar para os próximos anos com confiança. O centenário não deve ser apenas uma celebração do passado, mas também um marco para projetar o futuro.
Na FenaCap, essa visão já faz parte do planejamento. A preparação para os 100 anos da Capitalização foi incorporada ao planejamento estratégico da Federação, que orientará sua atuação até 2028. A proposta é aproveitar esse período para resgatar e preservar a memória do setor, ao mesmo tempo em que se criam as condições necessárias para que a Capitalização continue evoluindo nas próximas décadas.
Um livro sobre a história dos Títulos de Capitalização no Brasil será preparado, reunindo relatos e registros históricos, além de contribuir para a construção de uma agenda de celebração que valorize aqueles que ajudaram a construir essa trajetória. O movimento ganha um significado ainda maior porque, em 2027, a própria FenaCap completará 20 anos de atuação em defesa e representação do setor.
Mas preservar a história só faz sentido se ela ajudar a compreender melhor o futuro.
Por isso, o planejamento estratégico 2026-2028 estabeleceu prioridades voltadas ao desenvolvimento do mercado, à inovação e à ampliação das oportunidades para as diferentes modalidades de Capitalização. Entre elas estão o fortalecimento e a expansão de produtos, além da busca por novas frentes — inclusive no cenário internacional, com o avanço do GlobalCap. Esta iniciativa pioneira e estruturante visa levar a experiência brasileira do setor a outros países.
Também está entre as prioridades ampliar a capacidade da FenaCap de produzir e compartilhar conhecimento por meio da iniciativa DataCap. A proposta é consolidar a Federação como um hub de informações para suas 17 empresas associadas, reunindo dados, análises e tendências. O objetivo é subsidiar decisões mais estratégicas e promover uma compreensão cada vez mais qualificada do mercado.
Para avançar na entrega de valor e promover a evolução das modalidades de Capitalização — Incentivo, Instrumento de Garantia, Tradicional, Filantropia Premiável, Popular e Compra Programada — a inovação será um eixo transversal, contemplando também a agenda regulatória. Nesse sentido, foi estruturado um conjunto de propostas para modernizar e aprimorar o ambiente regulatório, simplificar processos, fortalecer a segurança jurídica e criar condições mais adequadas para o desenvolvimento de novos produtos e soluções. Essa agenda se soma a iniciativas como o InovaCap, a adoção de ferramentas de inteligência artificial e a criação de uma central de serviços compartilhados, entre outras ações voltadas à modernização do setor, ao ganho de eficiência e à geração de valor para as empresas associadas e para a Capitalização.
Ao mesmo tempo, a agenda ASG ganha espaço próprio com o SustentaCap, iniciativa que pretende estruturar uma agenda de desenvolvimento sustentável para a Capitalização, a partir de referências reconhecidas internacionalmente e do mapeamento das contribuições das empresas. Nesse contexto, a FenaCap também contribuiu para a elaboração da Taxonomia do mercado segurador, iniciativa que busca estabelecer referências comuns para classificar atividades e práticas relacionadas à sustentabilidade. A ambição é transformar compromissos em propostas concretas e resultados que possam ser acompanhados por meio de métricas.
Outro eixo importante será o fortalecimento do diálogo institucional. A FenaCap pretende, com apoio da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), ampliar sua atuação junto aos Poderes Executivo e Legislativo e ao órgão regulador, promovendo uma agenda cada vez mais propositiva e contínua. Com o Radar FenaCap, o monitoramento do ambiente regulatório e legislativo será acompanhado de análises de impacto e propostas de atuação, o que permitirá uma resposta mais ágil a mudanças e a contribuição de maneira mais efetiva para o aperfeiçoamento do ambiente de negócios.
Tudo isso parte de uma convicção: o futuro da Capitalização será construído a partir da combinação entre a experiência acumulada ao longo de 97 anos e a disposição para inovar.
Celebrar essa trajetória é reconhecer um instrumento que soube acompanhar as transformações do país sem perder sua essência. É também reconhecer o trabalho de milhares de profissionais e empresas que contribuíram para essa história e que continuam ajudando a construir novos caminhos para o setor.
O maior desafio, à medida que o centenário se aproxima, é fazer com que essa marca represente não apenas longevidade, mas também renovação. A meta é chegar aos 100 anos celebrando o que foi construído e, sobretudo, preparados para os próximos 100.
A Capitalização tem uma história de 97 anos no Brasil. E uma longa história de futuro pela frente.
Foto: Denis Morais, presidente da FenaCap



